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03 abril 2014 0 poesias

Não me conformo

Estrada Lisboa – Faro, Portugal 12/05/00

Dizem que a gente fica velho e se conforma com tudo
E até se esquece de quando era cabeludo e cabeçudo
Cabeça dura que lutava contra a ditadura
Que protestava e enfrentava qualquer estrutura
Que detestava esse fedor da situação
E acreditava que a flor vencia o canhão
Cabeça viva que pensava na transformação
E alimentava cada sonho com convicção.


Dizem que a gente fica velho e perde os ideais
E até se esquece das ideias que deixou pra trás
Cabeça dura que lutava para mudar o mundo
Agora muda e só enxerga o umbigo imundo
E se acostuma com o fedor da situação
E se conforma com o programa da televisão
Cabeça morta que não pensa mais com sentimento
E que alimenta a podridão com o seu consentimento

Eu não me conformo! Por que deveria me conformar?
Não fico mudo enquanto não mudar...


(…)

Dizem que a gente fica velho e perde a atitude
Mas a idade não me ilude e por mais que eu mude
Eu sei usar a juventude da minha cabeça
Pra conquistar maturidade sem que eu envelheça
Minha cabeça de criança anda sempre erguida
Levando a vida e me levando pra melhor saída
Minha cabeça não se cansa, não se envenena
E se ela pensa em mudança é porque vale a pena.


Gabriel o Pensador


01 dezembro 2013 0 poesias

Se…

Se a nota disser: não é uma nota que fará a música,
… não haverá música.

Se a palavra disser: não é uma palavra que fará uma página,
… não haverá livro.

Se a pedra disser: não é com uma pedra que se ergue uma parede,
… não haverá casa.

Se a gota de água disser: não é com uma gota de água que se fará um rio,
… não haverá oceano.

Se o grão de trigo disser: não é com um grão de trigo que se semeará um campo,
… jamais haverá seara.

Se o homem disser: não é um gesto de amor que poderá salvar a Humanidade,
… jamais haverá justiça e paz, dignidade e felicidade, na terra dos homens.



Michel Quoist


28 novembro 2013 0 poesias

Mesmo!!

23/01/01

Deus, me ajude a continuar acreditando
Em Você e no futuro
Mesmo quando eu vejo tudo mais escuro
Mesmo quando o coração fica mais duro

Mesmo vendo o desespero e a doença
Quero conseguir manter a minha crença
Num destino justo e menos insensível
Mesmo que pareça impossível

Mesmo na presença horrível e demente
Dela, que prepara lentamente a sua foice
Quero crer que seja uma lição pra gente
Mesmo que ela doa feito um coice

Mesmo conhecendo a maravilha de um milagre
De um bebé que chora ou de um sorriso que se abre
(…)
quero e não consigo preencher esse vazio!

Mesmo que pareça fora do Seu
Quero me enganar e te implorar mais uma chance
Pr’aquela guerreira na batalha contra o câncer
…mesmo quando o coração fica mais frio

Para a Ivanilda e todos os doentes de câncer (cancro)

Gabriel o Pensador in "Diário Noturno"


Se há pessoas que admiro são as que lutam contra o cancro. São aquelas que fazem do quotidiano uma batalha e que dão provas que desistir é para os fracos. 

A possibilidade de ter cancro é algo que vem à ideia várias vezes e a forma como lidarei com ele é uma daquelas tempestades mentais que mais atormentam a minha mente. Não estamos livres em momento algum da vida nos pregar esta rasteira e mudar-nos o rumo da vida para sempre...e por isso mesmo há que aproveitar a vida como se do último dia se tratasse.
21 fevereiro 2011 3 poesias

Uma flor de verde pinho

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

Manuel Alegre, o tal político/poeta
poema encontrado no blog WebClub


foto daqui
Curiosidade: "Uma flor de verde pinho" serviu de letra para a Canção de Portugal no Festival Eurovisão da Canção 1976, cantada por Carlos do Carmo.
17 janeiro 2011 0 poesias

Parte poética

Não é fácil ser poeta a tempo inteiro.
Eu, por exemplo, nem cinco minutos por dia,
pois levanto-me tarde e primeiro há que lavar
os dentes, suportar os incisivos
à face do espelho, pentear a cabeça e depois,
a poeira que caminha, o massacre dos culpados,
assistir de olhos frios à refrega dos centauros.
Chegar por fim a casa para a prosa
de uma carne à jardineira, o estrondo
das notícias, a louça por quebrar. Concluindo,
só por volta das duas da manhã começo a despir
o fato de macaco, a deixar as imagens correr,
simulacro do desastre.
Mas entretanto já é hora de dormir.
Mais um dia de estrume para roseira nenhuma.


José Miguel Silva

Tinha este poema escrito num bloco já antigo, dos tempos em que ainda alimentava a alma com a escrita, com palavras escritas em papeis amarrotados e esperança de um dia fazer algo com essas palavras. Hoje em dia escrevo muito menos do que queria. As palavras não saem tão fluentemente e a alma acabou por habituar-se à realidade do dia-a-dia.

Não quero com isto dizer que envelheci a alma ao ponto de não sonhar, quero simplesmente dizer que a adolescência é uma das fases mais belas da vida, onde a mistura de sensações é tanta que tem que transbordar de alguma maneira...a mim era através da escrita.


12 maio 2010 0 poesias

Intensidade verbal

Com vista a elevar a qualidade de conteúdos deste espaço, deixo aqui um escrito da sempre amiga Carla (a "pseudo" deste poeta), que nos delicia com mais um dos seus momentos de requinte. Disfrutem:

Vejo-o desvanecer desde ontem.
Perco-me nele desde o agora e desejo que me devolva o seu tempo desde então.
Só a força do agir me fortalece.
Força bruta como o nada e o tudo dos devaneios substanciais do ponteiro.
Vai e vem como o tic tac presente de um depois inconsistente.
Torna-se leve e fica suspenso...
Dói por dentro e transpira por fora, a qualquer momento.
Dá-me um minuto de ti e eu torno-o tão meu que não mais vais querê-lo de volta.
Mostra-me o segundo da tua essência, tão efémera como serena, como poema.
Dúbio e egoísta eterno desde ontem, onde o agora demora e questiona.
Vou querer a tua verdade no meu relógio e na minha vida, onde lideras os impulsos do meu futuro sem antigamente.

02 maio 2010 1 poesias

O Meu Olhar Azul como o Céu

O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta ...
Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo...
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol ...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso...)


Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXIII"
Heterónimo de Fernando Pessoa


12 abril 2010 0 poesias

Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Ary dos Santos
06 abril 2010 0 poesias

Viver sempre também cansa

As paisagens não se transformam
Não cai neve vermelha
Não há flores que voem,
A lua não tem olhos
Ninguém vai pintar olhos à lua
Tudo é igual, mecânico e exacto
Ainda por cima os homens são os homens
Soluçam, bebem riem e digerem
sem imaginação.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos
discursos do Cavaco, Guterres e Carvalhas
guerras, orgulhos em transe
automóveis de corrida...

E obrigam-me a viver até à morte!

Pois não era mais humano
Morrer por um bocadinho
De vez em quando
E recomeçar depois
Achando tudo mais novo?

Ah! Se eu pudesse suicidar-me por seis meses

José Gomes Ferreira

Foto daqui
16 dezembro 2009 1 poesias

Momento de reflexão

(Somos os podres que idolatram os padres
que apedrejam as bruxas e sacrificam a liberdade
somos brutos, escravos de produtos e verdades
somos pobres trabalhando pra comprar nossos milagres)


Gabriel o Pensador

Depois disto...não há muito a dizer!
18 novembro 2009 0 poesias

Estrume na cabeça

Tenho estrume na cabeça.
E é bom que fertiza.
Tem gente que tem demais.
Mas tem gente que precisa.
A merda abunda a mente
e brota na gente uma ideia,
plantando mais uma semente,
pensamento que nem diarreia.

(...)

É estrume na cabeça.
E é bom que fertiliza.
Eu tenho um pouco demais.
Tem gente que até precisa.
A merda que a gente faz
é a merda que a gente paga.
E a merda que a gente caga
é a merda que a gente pisa.

A merda que a gente caga é a mesma que gente pisa.

Gabriel o Pensador 



Venha de lá essa sexta feira!
18 outubro 2009 0 poesias

Pedras no caminho

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo...
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história...
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma...
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'!!!
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta...

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa


foto daqui

08 julho 2009 0 poesias

Estou vivo

O oceano emociona-me,
assim como as rimas pobres:
amor e flor,
coração e paixão,
por exemplo.
Odeio injustiças, mas cometo-as
fingindo desconhecimento.
Eis a minha única certeza:
tarde ou cedo,
serei triturado pelo velho moinho da morte,
cujas velas reinas, obscenas,
sobre todo o azar
ou sorte.
Mas estou vivo
e estou no mundo.
Ignorante e sábio,
doce e agressivo,
cobarde e capaz
de descobrir a coragem
no fundo do medo,
ingénuo e cínico,
em incessante aprendizagem:
eu, a medida de todas as coisas.

in "Auto-Retrato" de João Melo


imagem daqui


06 abril 2009 0 poesias

Poesia

A poesia nos deve surpreender pelo seu delicado excesso, e não porque é diferente. Os versos devem tocar nosso próximo, como se ele tivesse lembrado algo que já conhecia em seu coração. A poesia é sempre uma surpresa, capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos. Ela deve permanecer em nossas vidas como o pôr-do-sol:
- Algo milagroso e natural ao mesmo tempo.
John Keats (poeta inglês)

A poesia não foi escrita para ser analisada mas para inspirar sem motivo, para emocionar sem entendimento
in "Diário da Nossa Paixão" de Nicholas Sparks

Um poema é um mistério cuja chave deve ser procurada pelo leitor
Stéphane Mallarmé

O meu poema é a resposta da alma ao apelo do universo
Rabíndranáth Thákhur (Tagore)
27 dezembro 2008 0 poesias

É urgente o amor

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

Deixo-vos este poema de Eugénio de Andrade, neste que é o último fim de semana de 2008, com a mensagem de que, realmente, é urgente o amor! Numa fase em que muitos temem o início do próximo ano e as avalanches económicas que poderão vir, é importante que não se caía na negatividade, mantendo, no coração, o amor e, na alma, a auto-estima!

Bom fim de semana
01 outubro 2008 2 poesias

Tudo o que faço ou medito

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço.

Fernando Pessoa

tudo que disser a partir daqui soará a vazio e sem sentido, por isso, deixo apenas as palavras do génio
17 maio 2008 2 poesias

Momento cultural da semana

Silêncio, que se vai ler poesia:

O amor ofereceu-se-me, e eu
Esquivei-me aos seus enganos;
A dor bateu à minha porta
E eu tive medo
A ambição chamou-me
Mas eu receei os imprevistos.

Contudo tinha fome
De dar um rumo à vida.

E agora sei que é preciso
Içar as velas
E receber os ventos do destino
Não importa para onde empurrem o barco.

Dar rumo à vida
Pode ser temerário
Mas a vida sem rumo
É o tormento
Da inquietação
E do desejo absurdo
Como se um barco que nasceu para o mar
Tivesse medo de molhar-se.

Edgar Lee Master


18 março 2008 2 poesias

Mais uma do génio

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Alberto Caeiro in "O guardador de rebanhos"



E aqui fica o momento cultural do dia...

27 fevereiro 2008 0 poesias

Mais uma do verdadeiro poeta

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa…

(…)

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, musica, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Liberdade de Fernando Pessoa, Poesias, Ática

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Frase do dia:
"Um poema é um mistério cuja chave deve ser encontrada pelo leitor" Stéphane Mallarmé

15 fevereiro 2008 1 poesias

Ser poeta

"Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha

É a minha maneira de estar sozinho"


Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) em O guardador de rebanhos

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